quinta-feira, 2 de julho de 2009

Curtindo uma Virose


Depois de “derramar-me” inúmeras vezes e descobrir que o que eu tinha, era aquela típica classificação dada pelos médicos que nunca sabem o que temos, passei a mão na minha virose, como quem pega uma bolsa que estava jogada em cima da mesa, e fui pra minha cama outra vez. Achei mais prudente ficar em casa, evitando assim, maiores incidentes.

Com o corpo mole e uma preguiça atípica para meus agitados finais de semana, resolvi não querer tentar ser forte. Até tomei meu banho para me arrumar para ir à igreja, mas o ritual limitou-se ao banho. Vesti uma roupa bem confortável, arrumei as crianças, que seguiram alegres e livres de virose, para encontrar com seus coleguinhas da escola dominical.

Eu fiquei!

Com inúmeras coisas a fazer, optei por não fazer nada! Dei-me de presente a “curtição” da virose. O sol de inverno estava convidativo. Peguei um livro que estou relendo e subi para meu cantinho de leitura. Fiquei deitada na rede com as pernas banhadas pelo sol.

Li, parei de ler, observei o céu azul, balancei na rede, cochilei deliciosamente aquecida. Não resisti e desci as escadas correndo em busca do meu caderninho de rabiscos, para começar a escrever.

Voltei para rede. Vi-me sozinha, porém acompanhada dos adornos que raramente enxergo. Fui brindada pelo vento que fazia ecoar o leve bater dos sinos. Nuvens instigando a imaginação. Minhas vaquinhas e galinhas da angola, que ficam dependuradas no telhado da varanda, pareciam se alegrar com minha calma presença.

Tudo em seu devido lugar. Uma paz que só é possível experimentar quando esquecemos das cobranças do tempo. Hoje ele não me exigia nada. Ele era só meu!

Poderia praguejar tão chata virose, que revira meu estômago e intestinos, mas seria injusta, em não reconhecer seu despretensioso poder “ABS” de me fazer parar de forma segura e curtir este meu cantinho que usufrui tão pouco de mim.

Não preciso de mais viroses para diminuir o meu ritmo. Só preciso ficar atenta para voltar a presentear-me com momentos de individualidade que, muitas vezes, me recuso a aceitá-los, por querer sempre incluir os que amo em tudo que faço.

O soninho preguiçoso está batendo em minha rede outra vez. Desculpem-me, vou render-me a ele novamente... bons sonhos para mim...zzzzzz

3 comentários:

  1. Ju, minha querida

    Que bom fazer parte dos seus leitores, e olhe, ¨o livro que não escrevi¨ precisa realmente ser escrito. Suas crônicas são deliciosas e precisam ser divididas com os amantes de boas leituras.Faço parte agora daqueles que esperam avidamente por novas viagens através de seus relatos .Temtem

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  2. Amiga, espero que a virose não diminua seu processo criativo (kkkk!) que está cada vez melhor...
    Beijos, Ped

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  3. Estou quase desejando a voce mais algumas viroses,assim vai nos presentear mais frequentemente com suas estorias. Que cabecinha criativa , amei mais uma vez... beijos da
    tia torta.

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