
Faz algum tempo que assisti uma comédia romântica, daquelas “água com açúcar”, em que uma menina passa por um momento ruim e deseja ser mais velha. De repente ela tinha seus 30 anos de idade.
Não me lembro de desejar chegar aos 40, mas eles chegaram e estou sentindo-me tão jovem (em vigor e ânimo), que brinquei com um amigo: “acho que estou completando 25 anos”. (Como os parâmetros mudam depois de uma certa idade!).
Talvez a “melhor idade” deveria ser nessa fase da vida, onde gozamos de boa saúde, nosso corpo ainda nos obedece, nossa mente é absolutamente ativa, somos independentes, enfim, todos os argumentos para dizer e sentir que podemos usufruir intensamente dessa nova fase. Ela sim, é a melhor idade.
O rosto mostra que alguma caminhada já percorri. Os fios de cabelos brancos comprovam que os problemas foram enfrentados com seriedade, o corpo maduro, ainda não passou do ponto e a experiência... ah, essa não tem preço. Não sabia aos 20 o quanto ela era valiosa. Pena que não podemos adquiri-la antes do tempo.
Mil idéias para comemorar a virada de década. Algumas não cabiam no bolso, outras não cabiam na agenda apertada, então sobrou a melhor das idéias, comemorar ao lado das pessoas que são importantes na minha vida.
Aos 40 anos, posso reconfirmar que o que temos de mais precioso, depois da nossa saúde, são as pessoas que escolhemos para estar ao nosso lado, trilhando os mesmos caminhos, rindo, chorando e sonhando. É ao lado dessas pessoas que quero comemorar (vou apenas sentir falta das que não moram aqui...).
Se fosse representar nosso ciclo de vida em um gráfico, penso que, os 40 anos seria aquele pontinho no ápice da representação. Agora é inevitável “descer a serra”, mas não uma descida triste, fúnebre ou decadente. Ela é alegre e divertida. Pode ser leve, se assim a permitirmos. Subimos tão rápido que a descida tem agora uma perspectiva diferente. Talvez seja nesse momento, que possamos contemplar a paisagem. Até aqui, a série de compromissos e almejos profissionais e pessoais, deixam sobrar pouco tempo para contemplação.
Para um corredor, a descida pode representar danos ao joelho (se não estiverem fortalecidos), mas é na descida também que um corredor pode soltar os braços para recuperar o fôlego da árdua subida que a precedeu. Então, vou soltar meus braços, segurar o corpo e proteger os joelhos para curtir deliciosamente esta descida que se inicia.
Quando nos damos conta de que uma contagem regressiva irá nos alcançar é que revemos conceitos e escolhas. Se não perdermos a vibração, a energia e a alegria de viver, essa tal contagem regressiva vai encontrar alguma dificuldade para nos alcançar.
Análise feita, compreensão concluída do que representa essa nova etapa, resta agradecimento por ter chegado até aqui, tão viva e tão cheia de sonhos e realizações. Pois, foi aos 40 anos, que descobri , que embora tenha vivido muito, sei que tenho a oportunidade de viver ainda mais.





